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riscos_e_rabiscos

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Surpresas boas.

Há dias em que somos presenteados com pequenas surpresas agradáveis. a semana passada tive uma dessas surpresas que foi mais uma espécie de rencontro, e ontem tive mais duas supresas destas. 

 

Num dia da outra semana, mal entro na escola, a senhora que está ao portão, pergunta-me se sou a professora Miss Pepper. Ela não sabia o meu nome, nem eu sei o dela, pois as nossas conversas são praticamente casuais. Depois explicou-me que uma senhora, de cujo o filho fui professora, andava à minha procura e que nesse dia iria lá ter comigo. Fiquei tão contente!

 

O filho dela era e é um miúdo fora de série e a turma dele a que dei aulas, tmbem era excelente. Posso dizer com orgulho que consegui que vários desses alunos fossem alunos de 100% , ainda hoje, ou de 5. E isto para mim, é encher-me o coração, pois marquei-os positivamente para a vida e contribui para a sua excelência.

 

A senhora foi ter comigo à minha sala e tivémos a matar um bocadinho as saudades e a por as novidades em dia.

 

Ontem ao ir para a escola, voltei a encontrar a tal senhora. Um ano inteiro a fazermos o mesmo percurso e nunca nos tínhamos encontrado e agora, em menos de uma semana, ja nos encontrámos duas vezes.

 

Como sabem, a segunda-feira é o meu pior dia com a minha pior turma, em que eu tenho de usar rédea curta e vestir a capa de má.e isto custa-me imenso. Mas ontem foi diferente. Para iniciar um novo tema, levei de novo uma história. enquanto explorava o tema e a história, houve alunos que acalmaram de tal maneira que pareciam ter adormecido. O que mais gostei foi alguns alunos terem-me pedido para falar sempre em inglês, e eu assim fiz. Costumo falar 90% das minhas aulas em inglês mas aqui não posso porque os miúdos têm uma grande deficiência de aprendizagem, infelizmente. É geral.

 

A aula correu bastante bem e como podem calcular saí de lá muito feliz. Será que agora no fim vão entrar nos eixos, finalmente? :)

A professora que é uma sexy girl.

Ontem comecei a dar explicações a uma menina a precisar de socorro urgente. Conversámos para ver quais as dificuldades que mais sentia, que matéria estava a dar e o que iria sair para o próximo teste. Enquanto ia fazendouma das fichas de trabalho que lhe dei, a miúda ia falando comigo, tirando pequenas dúvidas e contando pequenas coisas acerca da professora da disciplina.

 

Parece que a referida professora chega à aula e começa a desbobinar matéria automaticamente, a turma entra em alegre conversa e barulheira e ela nem os manda calar. Exercícios para consolidar a matéria e tirar as possíveis dúvidas aos alunos, népias! Já os testes, esses, são retirados da net, de um qualquer site acessível a todos, nem são feitos por ela. E o mais engraçado é que ela ainda diz orgulhosamente aos alunos que os tira da net! Em suma, ela vai dar aulas sem a mínima preparação, com as coisas feita em cima do joelho, e os encarregados de educação e os alunos (que são daqueles de boas notas) não estão nada satisfeitos. Inclusivamente já tentaram pô-la a mezer e a senhora professoar, depois, foi fazer beicinho para os alunos.

 

Ao que parece a tal senhora tem uma carreira paralela à carreira docente: é modelo fotográfico, daquelas fotos sensuais. Como todos sabemos, os nossos jovens de hoje em dia, são peritos em questões de net e descobriram as fotos da tal senhora, que ela também não escondeu, expondo-as numa rede social.

 

Ninguém tem nada a ver com o que a senhora faz com a sua vida, é certo, e nem ninguém tem que a criticar. A vida é dela. o corpo é dela e ela fará o que entender sem ter que dar justificações a ninguém. Mas ao expor-se desta maneira, há consequências implícitas perante os olhos da nossa sociedade, e principalmente sendo professora.

 

O que acontece é que os alunos perderam-lhe o respeito, e como perceberam que ela nem sequer prepara as aulas, os alunos começaram a borrifar-se. Se a professora não dá importância áquilo que lhes está a ensinar porque é que eles têm de dar? Afinal ela tem uma vida muito ocupada e não tem tempo para preparar as coisas, diz-lhes ela.

 

A vida, a família e os efeitos da crise.

Tenho estado a tarde inteira a corrigir testes. Cada teste que corrigia fazia-me pensar no aluno a quem pertencia e, de seguida, fazia associação com outros.

 

Comecei a pensar quem ficava lá na escola e quem mudaria de escola. Poucos serão os que lá ficam uma vez que alguns já lá estão desde o pré-escolar. E depois há os outros que vão mudar sim, mas por outros motivos. Há aqueles que vão sair daquela escola particular para mudar para uma pública; e há aqueles que vão mudar de escola porque vão para outro país.

 

Infelizmente, a conjuntura económica está a obrigar à desestruturação das famílias, ao abandono do país onde nascemos e que nos devia dar valor e proporcionar condições de vida razoáveis e não de miséria ou de sobrevivência. E com isto refiro-me a alguns alunos que vão sair da escola porque também vão mudar de país. As condições de vida e de trabalho, aqui, estão esgotadas e a única solução que estes núcleos familiares tiveram foi a emigração. 

 

Embora não saiam para além dos limites da União Europeia, foram obrigados a deixar o seu país e toda uma vida (que foi entrecortada) e começar tudo de novo num país estranho e com uma língua que, se calhar, até não se domina. Nestes caso, não se vai sozinho ainda jovem e com a cabeça cheia de sonhos à procura de trabalho para depois se mandar ir a mulher e, a partir daí, começar-se uma vida a dois e formar uma família. Não. Agora vai-se numa altura da nossa vida em que já devíamos ter estabilidade financeira e em que podíamos usufruir alguns prazeres da vida sem ter que fazer contas e pensar no amanhã.

 

Imagino que a nível psicológico deva ser arrasador. Arregaçar as mangas e seguir em frente já não é fácil, muito menos deverá ser num outro país e naquela altura da vida em que apetece tudo menos recomeçar de novo. 

 

Mas é isto que o Passos Coelho quer, não é? Que os jovens e os menos jovens emigrem em busca de melhores condições de vida.  Não é ele que diz que "o desemprego é uma oportunidade para mudar de vida"? Concordo contigo, pá. Realmente muda-se de vida mas não por opção e sim porque somos obrigados a isso. Gostava de ver o Passos Coelho com uma mão atrás e outra à frente a ter de ir à luta sem ajuda de ninguém e com a responsabilidade de mulher e filhos às costas.

 

Pensar nos meus alunos que são obrigados a partir, dói-me.

 

Os Estudantes De Hoje.

 

Conversa entre dois estudantes, com idades entre os 15 e 17 anos, que vinham comigo na camioneta:

 

Estudante 1: Então segunda-feira vais à escola?

 

Estudante 2: Não, vou-me baldar... vou gozar o meu último dia de férias em grande!

 

Estudante 1: Eu ainda não sei se vou... é melhor gozares o último dia... é que depois nem vais ter tempo de coçá-los...

 

Estudante 2: Olha não vou...!!! Coço-os durante as aulas...

 

E ainda andam por aí a dizer que os estudantes não fazem nada! Com o novo Estatuto do Aluno, os alunos ficam tão ocupados, mas tão ocupados, que para os pobrezinhos os coçarem... só mesmo enquanto a professora explica quanto é 2 mais 2...! {#emotions_dlg.lol}

 

Just kidding!

 

Era Bom, Era...!

 

Entro na sala do 3º ano e deposito as minhas tralhas em cima da mesa do profe, como sempre. Despeço-me da minha colega I. e, nesse exacto reparo em dois anjinhos que pululam por ali, junto a mim.

 

- Que é que vocês querem? Precisam de alguma coisa? - digo eu entre sorrisos.

 

- Ó teacher, temos uma dúvida...queríamos perguntar uma coisa... - respondem-me eles por entre olhares cheios de cumplicidade, salpicados de vergonhas.

 

- Então digam lá...

 

Os anjinhos respiraram fundo, olharam um para o outro e perguntaram:

 

- Ó teacher, é verdade que quando comemoramos as centésima* lição as aulas terminam?

 

Entre risos, respondo-lhes:

 

- Infelizmente, não... festejamos a centésima lição porque é uma forma de comemorarmos tudo o que aprendemos até agora... Mas quem nos dera!!!

 

Santa ingenuidade!

 

 

*Na sexta-feira foi o dia da centésima lição. apesar dos meus colegas não a festejarem, eu faço-o. Lembro-me de quando era estudante adorar os festejos da centésima lição. E opto sempre por proprocionar este prazer aos meus alunos. Como este ano estavam poucos devido aos feriados, levei eu o "farnel".

Fiz um bolinho, levei pipocas e sumo. Os miúdos gostaram tanto, mas tanto que não sobrou nem uma migalha para contar como foi...

Pérolas Infantis... (:LOL:)

 

P: De onde vem a cortiça?

R: Dos cornos da vaca.

(hummm... isto quer dizer que os sapatos que eu trazia hoje calçados são feitos de cornos de vaca?! Acho que me enganaram na sapataria...)

  

P: De que são feitos os botões?

R: De pioneses.

(Iaics...! Eu bem me parecia. Deve ser por isso que tenho dificuldade em apertar o botão das calças... ou será por outro motivo?! Aconselho as senhoras (e os senhores?) com silicone nas mamocas a não usarem nada com botões...)

 

P: De que são feitos os casacos?

R. De papelão.

(Por isso é que quando ando à chuva, os casacos repassam. Como é que eu ainda não tinha percebido?! OMG!)

 

P: Diz uma fonte turística que exista na tua zona.

R: A minha casa.

(Será que a casa se tornou numa fonte porque mete água por todos os lados e se tornou num aquário ou a casa é tão concorrida mas tão concorrida que passa por lá mais gente do que no metro à hora de ponta? Caso a investigar...)

  

P: Quais são as vantagens do turismo?

R: É atrair ferro.

 

P: Quais as desvantagens do turismo?

R: É que não atrai ferro.

(Ora pois, tá-se mesmo a ver: se uma pessoa é turista, passeia muito. Se passeia muito, transpira. Se transpira, lava a roupa (alguns!). Se lava, amachuca. Se amachuca, atrai ferro. Ferro de engomar É esta a vantagem. Se não somos turistas, não precisamos de lavar a roupa nem passar a ferro... ou não? Não atrai ferro, só atrai fedor a suor. Por isso é uma desvantagem!)

 

  

Fonte: Teste do 3º ano de um dos meus colégios. Verdade!

 

Ainda Há Coisas Boas Na Vida.

Às vezes, sem esperarmos, ainda somos surpreendidos pela positiva. Às vezes nem é preciso nada de especial, basta um gesto, uma palavra ou uma acção despretenciosa.

 

Ao falar com a mãe de uma das minhas crianças, numa conversa informal, acabei por descobrir qual é a opinião acerca do meu trabalho na escola. Devo confessar que fiquei surpreendida. Não que eu desconheça o meu valor. Mas porque geralmente só se fala de alguém pelas coisas negativas e raramente se exalta alguém pelas coisas boas que faz. Quando é para se apontar o dedo, surgem todos os dedos do universo mas quando é para valorizar...

 

Descobri, então, que me achavam uma excelente professora, assim, por dá cá aquela palha. Sem graxas ou pretenciosismos. Apenas em conversa. Claro que fiquei muito contente. Porque é da praxe dizer mal dos professores, já é moda, seja verdade ou não. Os professores não podem ter uma falha humana que são logo estraçalhados em praça pública. Mas dar-lhes o devido valor, reconhecer o seu trabalho? Quantas vezes vemos ou ouvimos falar disso?

 

Entrei na sala para começar mais uma aula. O M. estende-me o braço com um saquinho e diz-me "é para si, teacher...". Segurei no saquinho e perguntei "para mim?", enquanto dava várias beijocas no miúdo (um beijo nunca fez mal a ninguém e os meus alunos são muito beijarocados por mim). "Ó teacher, não é nada de especial... fui eu que fiz", disse-me o M. com alguma modéstia e timidez. "Precisamente por isso é que este presente ainda é mais valioso para mim, M." respondi eu, ao mesmo tempo que abria o presente.

 

Ao abrir o saquinho, retirei de lá uma moldura feita com molas pelo M. e cuja foto era a imagem da Sininho pintada pelo miúdo. Fiquei muito sensibilizada por esta acção, por o miúdo se ter lembrado de mim, por me ter dedicado um pouco do seu tempo aquando da feitura da moldura. Geralmente é ao contrário. Mas nem me posso queixar. Há muitas crianças que gostam de me oferecer desenhos, florinhas, autocolantes, entre outras coisas. Aceito-as sempre e guardo-as com muito carinho.

 

E são estas coisas que valem a pena na vida, que nos dão ânimo, e força para ir em frente.

 

Alguém Tem Um Tempinho Que Me Empreste?

Esta semana tem sido de arrasar! Testes para um lado, avaliações para o outro e ainda o Projecto de Escola para ir para a exposição! Socorro!

 


Há dias em que me apetecia fazer picadinho de aluno, principalmente quando são aqueles que têm a mania que são engraçadinhos e cujos pais não compreendem a avaliação do seu filho porque devem viver num submundo e considerar o seu rebento o máximo! Adiante!

 

Ontem foi um dia prolífero em baboseiras de alunos. Uma teacher até fica traumatizada!

Um dos meu manuais tem, no fim da unidade, um minibook. As história têm a ver com os temas estudados e são engraçadas. Para a aula de ontem estava planeado trabalhar o minibook. Mas em vez de o lerem, ouviram o CD.

No fim, perguntei se toda a gente tinha entendido e se havia alguma palavra que desconheciam (a linguagem era simples e repetitiva).

 

Vejo uma mão levantar-se. "Sim, coisinho, diz lá o que não entendeste..."

Com cara de parvo e sorriso estampado disse-me "não percebi nada do que o senhor disse no Cd..."

Opá, passei-me! Levou logo com "não percebeste nada porque não estiveste atento à leitura enquanto estavas a ouvir o CD! Além disso está sempre a repetir a mesma coisa!". É que até os alunos mesmo muito fracos e com dificuldades, perceberam tudo!!!

 


Na minha turma do Zoo, como sempre, tenho de dar lições de moral e persuadi-los a fazer os TPCs. Os filhos não quere saber de trabalhar em casa e os pais muito menos porque "dá trabalho" e quem se lixa sou eu porque ando ali a remoer a matéria porque não posso avançar sem os meninos saberem.

Após verificação dos TPCs, houve um aluno que é bastante bom, uqe voltou a não fazer os TPCs. Mais uma liçãozinha de moral e um empurrãozinho à motivação e o menino responde-me o seguinte: "quando eu for para o centro de estudos depois faço os trabalhos todos!"

 

Caí redonda no chão (apenas em imaginação). Fico estupefacta com estas coisas e depois levou logo com "os teus pais vao gastar dinheiro numa coisa que é obrigação tua. Se não trabalhas em casa é porque não queres e não é no centro de estudos que vais aprender mais do que aprendes aqui".

É que os centros de estudos estão na moda e mesmo que sejam um logro, é in ir para lá gastar rios de dinheiro quando uma rotina de estudo diário pré-estabelecida, poderia fazer milagres. Mas dá trabalho...

 


Hoje estou com os neurónios triturados. Vou meter o sorriso nº 22 na cara e ir trabalhar feliz e cuntente!!! Argh!

 

Have a nice weekend!

 

Só Ao Puxão de Orelha

 

Ontem foi mais um dia de galinheiro. A coisa correu mal ainda antes de começar. Assim que inicio a descida da escadaria infindável, sinto uma dor horrorosa na fractura do meu pé! Lá fui eu a descer a escadaria quase ao pé-coxinho como se tivesse alguns 300 anos. E já nem mencionando o peso da minha mala, que parecia um velho baú cheio de tralha…

 

Comecei a aula como normalmente. A turma não sabe respeitar regras da sala de aula, não sabe respeitar nada nem ninguém. Várias chamadas de atenção e avisos, e a aula lá vai decorrendo cambaleante. Depois há meninos cujos “dedos” têm uma preguiça impressionante. Nem uma semana de aulas chega para passar meia dúzia de frases para o caderno. Ouvi dizer que é uma doença dos tempos modernos, a preguicite aguda.

 

Às tantas e no meio da feitura de uma actividade, o meu aluno surdinho encontrava-se mais atrasado. Este seu handicap prejudica-o pela dificuldade que tem em ouvir mas não na aprendizagem ou execução do que lhe é pedido. O loiro-burro levanta-se do seu lugar sem minha autorização e decide ir espreitar o trabalho do colega.

Como se acha o melhor, pensa que tem o direito de criticar os colegas e assumir o papel de professor, neste caso professora.

 

Como se fosse mais do que os outros, virou-se para o colega e chamou-lhe “totó”! Se há coisa que nunca admiti na minha aula foi o “chamanço” de nomes a colegas ou a quem quer que fosse. É claro que a seguir seguiu-se um responso e uma verificação ao trabalho que eu tinha mandado fazer. Acreditam que o trabalho estava mais atrasado do que o do colega?!

 

Mais um bocadinho de aula, mais uma matéria dada e mais trabalho a realizar. Estava a turma toda sossegada a trabalhar quando o loiro-burro resolve virar-se para trás e chamar ao colega chinoca “burro”!

Ó valha-me Santo Ambrósio e mais o rol dos meus santinhos de devoção! Passou-se assim uma coisinha má pela minha cabeça e uma névoa pela vista! Nem tinha acreditado no que tinha ouvido! Mais um raspanete, uma queixa à Directora e uma estadia na sala até acabar o que estava por fazer.

 

Ai o que estas alminhas vão sofrer quando saírem do quentinho do ninho da escola particular e forem para a escola pública! Ai, ai…